Na
aurora,
o
amor
me
acordará
e
me
conduzirá
aos
prados
distantes.
Ao
meio
dia,
conduzir-me-á
à
sombra
das
árvores
onde
me
protegerei
do
sol
como
os
pássaros.
Ao
entardecer
conduzir-me-á
ao
poente,
onde
ouvirei
a
melodia
da
natureza
despedindo-se
da
luz,
e
contemplarei
as
sombras
da
quietude
adejando
no
espaço.
À
noite,
o
amor
abraçar-me-á,
e
sonharei
com
os
mundos
superiores
onde
moram
as
almas
dos
enamorados
e
dos
poetas.
Na
primavera,
andarei
com
o
amor,
lado
a
lado,
e
cantaremos
juntos
entre
as
colinas;
e
seguiremos
as
pegadas
da
vida,
que
são
as
violetas
e
as
margaridas;
e
beberemos
a
água
da
chuva,
acumulada
nos
poços,
em
taças
feitas
de
narciso
e
lírios.
No
verão,
deitar-me-ei
ao
lado
do
amor
sobre
camas
feitas
com
feixes
de
espigas,
tendo
o
firmamento
por
cobertor
e
a
lua
e
as
estrelas
por
companheiras.
No
outono,
irei
com
o
amor
aos
vinhedos
e
nos
sentaremos
no
lagar,
e
contemplaremos
as
árvores
se
despindo
das
suas
vestimentas
douradas
e
os
bandos
de
aves
migratórias
voando
para
as
costas
do
mar.
No
inverno,
sentar-me-ei
com
o
amor
diante
da
lareira
e
conversaremos
sobre
os
acontecimentos
dos
séculos
e
os
anais
das
nações
e
povos.
O
amor
será
meu
tutor
na
juventude,
meu
apoio
na
maturidade,
e
meu
consolo
na
velhice.
O
amor
permanecerá
comigo
até
o
fim
da
vida,
até
que
a
morte
chegue,
e
a
mão
de
Deus
nos
reuna
de
novo.
Gibran
Kahlil
Gibran
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Vim
para
dizer
uma
palavra
e
devo
dizê-la
agora.
Mas
se
a
morte
me
impedir,
ela
será
dita
pelo
amanhã,
porque
o
amanhã
nunca
deixa
segredos
no
livro
da
Eternidade.
Vim
para
viver
na
glória
do
Amor
e
na
luz
da
Beleza,
que
são
reflexos
de
Deus.
Estou
aqui,
vivendo,
e
não
me
podem
extrair
o
usufruto
da
vida
porque,
através
da
minha
palavra
atuante,
sobreviverei
mesmo
após
a
morte.
Vim
aqui
para
ser
por
todos
e
com
todos,
e
o
que
faço
hoje
na
minha
solidão
ecoará
amanhã
entre
todos
os
homens.
O
que
digo
hoje
com
apenas
meu
coração
será
dito
amanhã
por
milhares
de
corações.
Gibran
Kahlil
Gibran