
Sempre
quis prestar uma homenagem aos formatadores,
sejam eles de páginas editadas
na web, sejam de slides, sejam de
e-mails. Eu não conseguia achar
as palavras certas que fôssem
muito além de um "muito
obrigada".
Acho que hoje encontrei as palavras
certas.
Um poema ou mensagem, lidos num livro,
preenchem apenas o quesito da leitura
e da reflexão em si. Há
até quem prefira recebê-los
assim, mas é algo que carece
de vivacidade, carece de expressão.
Mas aí, o fluxo criativo sai
do computador do poeta ou da página
de um livro e vai bater nas mãos
de outras pessoas sensíveis:
os formatadores. Estes também
são grandes artistas.
Em primeiro lugar eles sentem a obra,
e depois tratam de acrescentar à
idéia essencial do poeta ou
do escritor, uma canção
de fundo que lhe seja adequada.
Feito isto, escolhem uma ou várias
imagens de rara beleza e adicionam
ao trabalho.
O resultado é mágico:
um simples poema pode então
ser sentido e apreciado não
só pela sua qualidade, mas
pelo clima que a canção
sugere, pela emoção
que a imagem evoca!
O poema é a matéria
prima "in natura".
O poema bem formatado, é a
obra completa!
Formatar é um dom especial,
tanto quanto o de escrever: requer
delicadeza, inspiração,
concentração, habilidade,
treino.
Via de regra, o bom formatador não
empeteca a matéria prima de
tal forma que ela fique pesada ou
se perca no meio de mil acréscimos
visuais ou auditivos. Pelo contrário,
ele usa de sutileza, para que cada
detalhe tenha o seu realce na medida
certa e harmoniosa.
Ele não compete com o poema,
mas aviva-o, ressalta-o e, neste processo
ele coloca toda a sua alma de artista.
Embora esta não seja a minha
praia, imagino que quando um formatador
termina a sua obra, ele está
feliz, realizado, emocionado, tanto
quanto quem escreveu ou verteu um
poema, mensagem, prece ou reflexão.
É arte pura!
E assim, vejo desfilar pela minha
telinha, trabalhos de incrível
beleza, destes que fazem valer a pena
as horas passadas diante do micro,
e confesso: muitas vezes já
chorei diante de uma sublime e expressiva
formatação.
Então, que todos nós,
ao recebermos um trabalho que nos
comova, tenhamos uma palavra e um
pensamento de gratidão e valorização
pela beleza e pela arte que nos foi
ofertada em várias faces. O
texto sozinho não é
a estrela, mas apenas uma parte, porque
a outra parte que também nos
extasia, deve-se à sensibilidade
dos formatadores que juntam num todo,
a arte visual e a arte musical.
E, como tudo que é bonito é
repassado, nossa gratidão também
se estende aos repassadores que acabam
se tornando divulgadores e agentes
multiplicadores da arte e da beleza.
Espero que todos os escritores reconheçam
isto porque, a grande verdade nestes
tempos inéditos de literatura
cibernética, é que não
seríamos nada, absolutamente
nada, não fôra pela obra
artística paralela dos que
sabem sentir e interpretar um texto.
Mais do que os livros e as academias,
os formatadores têm permitido
a imortalidade de obras admiráveis
que já teriam caído
no esquecimento, não fora pela
perseverança destes anônimos
sensitivos da beleza.
Da mesma forma, não seríamos
nada, não fora pela gratuidade
dos repassadores que, como pássaros,
abelhas, borboletas ou brisas, saem
levando aos quatro cantos da rede,
aquilo
que o poeta, escritor ou filósofo
sentiu e que o formatador interpretou.
Por tudo isto e muito mais, sinceramente
venho manifestar a minha gratidão
a estes artistas, gratidão
esta que vai realmente muito além
de um "muito obrigada".
Fátima Irene Pinto
Descalvado - SP - Brasil
23.08.2008
www.fatimairene.com
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