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Por
favor,
diz
que
me amas.
Não
importa
se foi
ontem,
ano
passado,
na idade
das
cavernas,
diz
que
me amas,
assim,
no indicativo,
para
que
exista
alguém
que
me reclame
e eu
não
precise
tatear
lembranças
em busca
de uma
história.
Se necessário,
mente.
Fala
sério,
olhando
nos
meus
olhos,
como
antigamente,
só
não
deixa
perceber
que
mentes,
como
antigamente.
Diz
que
me amas,
por
favor,
não
custa
muito
fazeres
com
que
creia
nessa
verdade
que,
de tanto
querer,
tornei
verdade
e transforma-me
em pessoa
verdadeira,
capaz
de ir
à
janela,
olhar
a rua,
dar
bom
dia,
receber
um sorriso
dos
que
passam
e me
vêem
na janela
olhando
a rua,
dando
bom
dia
e sorrindo
à-toa.
Diz
que
me amas,
mas,
por
favor,
não
acrescenta
o ainda.
Seria
quase
como
uma
saudade,
seria
um amor
que
quase
está
morrendo,
e necessito
crê-lo
vivo
e forte,
sentir
que
está
chegando
com
teus
passos,
atravessando
sala,
corredores,
mesmo
que
tropece
nas
cadeiras.
Por
favor,
diz
que
me amas,
que
não
mudei
nada,
que
estiveste
por
perto,
sempre,
sempre,
a pedir
ao meu
anjo
da guarda
que
me guardasse
te aguardando.
E chora
um pouco
para
que
as lágrimas
confirmem
a idoneidade
do que
falas,
e faz
de conta
que
não
acreditas
quando
digo
que
te amo.
Deixa
que
o feitiço
de tuas
mãos
recolha
dos
fios
de meus
cabelos,
a brancura
das
noites
solitárias,
o desacerto
do não
mais
importa,
o desalinho
de não
ter
espelho.
Diz
que
me amas,
sem
permitir
que
eu tome
teu
corpo,
avidamente,
mas,
dá-me
teu
corpo
como
uma
oferenda
aos
vindouros
séculos
de espera,
antes
que
sejas
minha
novamente.
E no
tempo
de olhar
relógios
e folhinhas
que
virá
depois
de tua
partida,
eu volte
a remontar
cada
pedaço
da mulher
que
existe
e bem
conheço,
aquela
que
é
mutante
cada
dia,
aquela
que
tão
fácil
diz
que
ama,
aquela
que
me ama
porque
peço.
Mas,
por
favor,
deixa
pra
lá,
diz
que
me amas.
Alberto
Cohen
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