Os poetas passarão.
A canção, com vida própria,
estará em cada esquina,
em toda janela aberta,
na mulher que canta e espera
a volta do seu amado.
No bêbado que assobia,
já no fim da madrugada,
no grito do jornaleiro
que anuncia um novo dia
pelas ruas e calçadas,
a canção será cantada.
Em cada sorriso triste,
em todas as gargalhadas,
na poesia que persiste
em nascer, mesmo enjeitada,
lá vem, de novo, a canção
pronta para ser cantada.
E a chuva que tamborila
seu ritmo nos telhados
diz que os nomes dos poetas,
que ficaram no passado,
foram importantes, apenas,
para a canção ser cantada.

Alberto Cohen

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