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Hoje
tirei o pó do
meu velho sofá,
e o cobri com uma velha
colcha,
Resolvi que a partir
de hoje será
novo
coberto com uma manta
que está na moda.
Aproveitei e tirei também
o pó de meu passado
Abrindo gavetas de um
passado
cheio de sonhos, desilusões
de alegrias, tristezas,
de encantos e desencantos.
Fui espanando em partes,
Cada tempo vivido uma
poeira diferente
Em alguns, um pó
finíssimo,
Era aquele passado nunca
esquecido
Em outros um pó
mais pesado,
Aquele que foi esquecido
pelo tempo
O outro ao lado, coberto
com um pó dourado
Mostrando que era um
tesouro de meu passado
Mais adiante um simplesmente
esquecido
Coberto por teias, tecidas
pelo tempo
Esse outro coberto por
uma tênue fumaça
Mostrando que continua
vivo, quente, sentido
Em todo meu passado
tinha algo a ser limpo
Mas não o cobri...
Por que ao remover a
poeira
Percebi que não
teria a necessidade
de ser coberto
Não por causa
da forma como foi vivido,
Mas pela forma que ele
vive em meu presente.
Júlia
Hilzendeger
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