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O
pequenino
canto
é
o nosso
canto,
embora
abandonado
e sem
o canto
de nossos
passarinhos.
Mesmo
sem
teu
sorriso
e meu
cigarro,
a poesia,
que
ajuntamos
de bobagens
e de
imensas
ternuras,
ainda
espera,
no quarto,
na sala,
que
eu,
por
um beijo
teu,
volte
a escrevê-la.
Decerto
aquele
frio
das
madrugadas
reclama
a falta
do calor
dos
corpos
que
nunca
mais
se doaram,
e o
cheiro
de jasmim
não
vê
sentido
em não
te perfumar.
Invisíveis
pegadas
de momentos,
pelo
chão
da casa,
pelo
céu
da cama
pelo
nosso
carma,
vão
dizendo,
em silêncio,
que
a magia
ainda
mora
num
pequenino
canto
em que
o passado
permanece
atento
a qualquer
ruído,
a qualquer
risada,
a qualquer
retorno...
Se,
de repente,
um tempo
de visagens
e de
ervas
daninhas
quiser
invadir
o pequenino
canto,
não
passará
da entrada,
pois
verá
que
os moradores
saíram,
não
estão,
mas
alguns
de seus
sonhos,
vigilantes,
aguardam
no portão.
E as
ondas
do mar
ainda
chamam
teu
nome,
e a
luz
do luar
teus
cabelos
espera,
e o
vento
proclama
que
nos
encantamos
e imortais
nos
tornamos,
em todas
as nossas
histórias
guardadas
na imaginária
linha
do horizonte
de nosso
imenso
pequenino
canto.
Alberto
Cohen
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